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Punhete (Constância desde 1836) sempre foi vista pela coroa portuguesa da Idade Média como um importante polo de desenvolvimento económico do Reino, e ponto estratégico para a defesa de Portugal. Pelo Zêzere abaixo eram transportadas madeiras do Pinhal até aos estaleiros de Lisboa e lacticínios da Serra da Estrela. O Tejo era a principal via que ligava Abrantes e Santarém a Lisboa. E, por isso, Punhete era um importante entreposto comercial. E tinha estaleiros de construção naval. Daqui teriam partido caravelas para os Descobrimentos no reinado de Dom Manuel I. Faz esta Vila um grande comércio por mar e terra (...). Efeito o transporte de milhares de moios de milho, de pipas de azeite, de madeira de castanho e pinho, de carvão, de lã e todo o comércio que se faz para a corte é pelo Tejo, com a mais acelerada prontidão e nos tempos em que os ventos servem vão a Lisboa as embarcações e voltam em quatro dias.(Veríssimo José Oliveira, 1830). Punhete rivalizava com Santarém que era, também, um importante entreposto económico e ficava mais perto do reino e pela coroa era preferida. Mas a pujança de Punhete limitava o desenvolvimento económico e o crescimento da população. Foi, por isso, objecto de uma carta régia de Dom Pedro I, o Justiceiro, que governou Portugal de 1357 a 1367. Numa perspectiva protecionista de Santarém, este rei, por carta régia, ordenou que em Punhete não se comprassem nem vendessem mercadorias, salvo as que os habitantes tivessem necessidade para seu sustento e dos companheiros que ali passassem e que nenhumas barcas passassem com mercadorias acima de Santarém, salvo com panos e outras coisas precisas para o sustento de Punhete.(António Matias Coelho). >Barcos no Tejo